A Rabeca e o Pífano

Artise - Associação dos Artistas de Sobradinho e Entorno

A Rabeca e o Pífano

Rabecas

A Rabeca e o Pífano

Por: Rebeca Barbosa e Natália Silva

A arte musical Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste, com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados.

A Rabeca (também chamada de sanfona em Portugal) é um instrumento de origem árabe tendo-se notícias de sua utilização desde a Idade Média. Instrumento de arco, que soa por fricção, espécie precursora do violino, de feitura popular. De timbre mais baixo que o do violino. Seu som fanhoso é sentido como tristonho. Suas quatro cordas de tripa são afinadas, por quintas, em mi-lá-ré-sol. O tocador recosta a rabeca no braço e no peito, friccionando suas cordas com arco de crina, untado no breu.

No Brasil, encontramos a rabeca de norte a sul, confeccionada por artistas populares em comunidades rurais. A construção e a maneira de tocar mudam conforme a região de origem, assim como o material utilizado na sua confecção. A rabeca tanto pode ser de madeira, de cabaça ou de bambu e o número de cordas também varia podendo ter três, quatro ou cinco cordas.

Esse instrumento é utilizado no Brasil em manifestações populares e religiosas desde os remotos tempos da colonização. Assim como no sudeste, é usada em folgança ou fandango, na folia do divino, Moçambique, congadas, dança de são Gonçalo e folia de reis. Nos estados do Nordeste foi popularizada por bandas locais, onde também é fabricada por gente simples do interior de Alagoas como Nelson da Rabeca.

Na região norte é usada nas festividades de São Benedito na cidade de Bragança onde se destaca como o principal instrumento da festa, é tocada desde 1978 pelo mestre Zito no período de 18 a 31 de dezembro. Músicas como retumbam, chorado, xote, mazurca e contra-dança fazem parte do repertório da festa, mais conhecida pelo nome de Marujada. Ultimamente tem sido difundida por músicos populares que a trouxeram para os grandes centros urbanos.